Farmacêutica de hospital em Goiânia diz que só conseguiu comprar três de oito sedativos que precisa: ‘Estamos em lista de espera’
A farmacêutica Renata Rocha Duarte, que trabalha em um hospital particular de Goiânia, disse que encontra dificuldade para comprar os sedativos usados no procedimento de entubação dos pacientes, comumente realizado em pacientes com Covid-19 com infecção nos pulmões. De uma lista com oito sedativos que ela precisa comprar para o hospital, conseguiu apenas três.
“Essa semana eu tinha uma lista de oito sedativos para comprar e consegui comprar só três. O que eu ainda não consegui comprar, tenho em estoque, mas que vai durar, no máximo, 10 dias. Então a gente está numa lista de espera”, explicou a farmacêutica.
“Essa semana eu tinha uma lista de oito sedativos para comprar e consegui comprar só três. O que eu ainda não consegui comprar, tenho em estoque, mas que vai durar, no máximo, 10 dias. Então a gente está numa lista de espera”, explicou a farmacêutica.
O médico Károly Hunkár explica que os sedativos são usados para dar conforto ao paciente quando ele precisa ser entubado.
“É uma medicação que a gente usa para relaxar o paciente. Então acaba relaxando toda a musculatura para fazer a pronação, muito usada para tratar a Covid-19, que é virar o paciente de barriga para baixo. Sem essa medicação fica muito difícil porque se o paciente não estiver relaxado pode estourar os pulmões”, pondera Hunkár.
Nesta semana, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), demonstrou preocupação com o estoque de remédios nos hospitais estaduais, mesmo após a Secretaria estadual de Saúde fazer aquisições preventivas para aumentar a reserva.
“Mas até quando? Até quando vamos ter condições de sedar um paciente entubado? Podemos ter colapso na oferta de medicamentos? Sim”, alertou Caiado.
“Mas até quando? Até quando vamos ter condições de sedar um paciente entubado? Podemos ter colapso na oferta de medicamentos? Sim”, alertou Caiado.
Em Goiânia, o secretário municipal de Saúde, Durval Pedroso, também relatou que prestadores de serviços à prefeitura encontram dificuldade de acesso às medicações. “É um cenário de muita gravidade”, ponderou.
A SMS disse em nota que “até o momento, os estoques de medicamentos e oxigênio vêm atendendo a demanda dos leitos regulados pelo município”.
Rede privada de hospitais
Entidades representativas da rede particular de hospitais de Goiás confirmam que há uma diminuição no número de alguns insumos no mercado, como os anestésicos, mas que esta escassez não significa que as unidades médicas estão desabastecidas.
A Associação dos Hospitais do Estado de Goiás (AHEG), que tem 250 hospitais associados, disse em nota que acompanha as decisões da Federação Brasileira dos Hospitais (FBH), a qual está discutindo a escassez de medicamentos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“A escassez destas drogas não está em Goiás, está no Brasil. Por isso, procuramos o órgão competente regulador nacional que é a Anvisa“, explicou o presidente da AHEG, o médico Adelvânio Francisco Morato.
Já na rede particular de hospitais de alta complexidade do estado, as unidades estão pedindo leitos de UTI na rede pública para enviar os pacientes em estado grave de Covid-19. O presidente da Ahpaceg, o médico Haikal Helou, disse que a rede atingiu a capacidade máxima de atendimento nos últimos dias.
“Neste momento, faltam medicamentos, médicos, leitos, oxigênio e colocamos dentro do nosso arsenal como última opção pedir para que o estado o estado regule os pacientes para algum hospital público”, disse o médico.
Dificuldade no interior
Dois hospitais de Jataí relataram dificuldade para encontrar sedativos. Um deles, o Hospital das Clínicas, está procurando medicamentos substitutos.
Em Porangatu, a prefeitura já busca as medicações até em outros estados do país. “Com o empenho de todos, uma força conjunta, estamos em busca de compra em qualquer parte do país”, disse um nota da administração municipal.
O cenário também é alarmante em Rio Verde. Uma UPA que atende pacientes com Covid-19 adquiriu insumos por, pelo menos, seis meses.
O Hospital de Campanha (Hcamp) afirma ter estoque de medicamentos e sedativos para três meses, mas que depende de não aumentar a demanda das internações.
Fonte: G1
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